MIGUEL HEITOR: «MAIS IMPORTANTE É O LEGADO QUE FICA»

MIGUEL HEITOR: «MAIS IMPORTANTE É O LEGADO QUE FICA»
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O diretor de desenvolvimento da Qatar Stars League, o campeonato profissional local, é português: Miguel Heitor, 41 anos, de Almada, emigrou com os pais para Macau. Ali concluiu os estudos universitários em Educação Física e foi futebolista da seleção macaense, dos escalões jovens até sénior. O trabalho desenvolvido no hóquei em campo, nos Jogos da Ásia Oriental, valeu-lhe um convite para trabalhar no Qatar. Com sucesso.
“A minha intenção foi sempre voltar ao futebol, até que em 2007 recebi um convite para ingressar na liga profissional”, explica Miguel Heitor. “Sou diretor do departamento de desenvolvimento, onde é feita a monitorização de todos os jogos, a nível estatístico. Faço a gestão do sistema e dos analistas de cada clube.”
Miguel Heitor explica como funcionam os 14 clubes participantes no campeonato. “Eles gerem os seus próprios fundos e têm comparticipações do governo e da liga, para o pagamento dos salários de alguns jogadores locais. Mas os clubes é que têm de fazer a gestão e encontrar fundos.”
Os “fundos” são originários em patrocinadores e na venda dos direitos televisivos, centralizados pela liga. “Todos recebem o mesmo. Não há diferença”, explica Miguel Heitor. “Quem acaba em 1º ou em 14º, é igual. Nos salários, a ajuda é grande, mas os jogadores são avaliados. Há critérios que têm de preencher. Isto é aplicado aos locais e avaliado na Academia Aspire: o número de jogos, os minutos de utilização, os índices físicos e técnicos.”
Para além do campeonato principal existe uma 2ª divisão com 18 clubes. “São 4 equipas, mais 14, as 14 equipas B dos clubes que participam na liga. Portanto, só 4 clubes é que lutam para subir”, informa Miguel Heitor. “Têm sido dois a subir e dois a descer, mas este ano já foi anunciado que a liga passa a ter apenas 12 equipas, o que quer dizer que serão quatro a descer e duas a subir.”
O objetivo da redução passa pelo aumento de competitividade. “O fosso é reduzido, entre as equipas melhores e as de menor qualidade. Em termos económicos também será melhor. Passa a haver uma competição de taça mais longa, com mais jogos”, diz Miguel Heitor, que vê o Mundial de 2022 como uma oportunidade.
” Estando a trabalhar em grandes eventos nos últimos 18 anos, vejo que o mais importante não é o Mundial, mas o legado que fica e é deixado aos locais para no futuro fazerem um trabalho muito mais sustentado. Os clubes vão ganhar com este intercâmbio”, conclui Miguel Heitor.

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