Ensinar ou desensinar Futebol

Ensinar ou desensinar Futebol

“Voltar atrás é melhor que nos perdermos no caminho”

 

Foram-se os tempos , ou mudaram-se os tempos? Ambas as situações são verdadeiras. No futebol como em todas as vivências colectivas , do qual a sociedade humana é mestra , foram muitas as modificações , invenções e inovações  motivadas por ambições.

Acreditar que vai continuar a ser possível , produzirmos espontaneamente mais talentos (eusébios, péle, figos e maradonas etc.) perante a realidade presente , parece-me cada vez mais difícil senão quase impossível.

Foram-se os tempos ou mudaram-se os tempos e com eles foram também os “campinhos improvisados de terra batida , os jogos nas ruas , nas praias , nas várzeas e por aí fora”. Vieram as escolinhas e cada vez mais escolinhas. Mas com elas vieram também o fim da maneira espontânea e popular de se aprender a jogar a bola. A magia , a arte de jogar , a indisciplina que ensinava a disciplinar  o gesto técnico , tudo isso foi substituído por rigores e mecanizações dos gestos técnicos e obrigações tacticas (blocos/linhas/basculações) acabando por criar, cada vez mais, enormes barreiras e limitações para acontecer desenvolvimento.

Entender FUTEBOL significa muito mais que entender a técnica e a táctica, com todos os seus fundamentos . Entender Futebol  significa também que além de se respeitarem princípios e sub-principios de jogo , nunca seja esquecido que existem um produto final que se chama O FUTEBOL QUE O POVO GOSTA.

É também necessário humanizar  e entender que por trás de qualquer atleta existe um ser humano , com virtudes e defeitos , com sensibilidade , emoção , que sabe chorar e rir , que sente e tem dores e que provavelmente foi criado perante necessidades biológicas, psicológicas, sociais e espirituais completamente diferentes. Compete aos que acompanham a evolução dos tempos e das metodologias discutir e idealizar métodos capazes de entender a nossa essência actual e futura, além das nuances do ser humano e do próprio jogo.

No futebol , no mundo actual, o SABER para alguns é apenas e cada vez mais importante, o sair do convencional, pois o futebol deve ser a única senão das poucas áreas onde tudo vai parar, e cada um que chega pensa que traz a novidade inacessível.

Não basta dizer eu sei. SABER, e não SABER porque se sabe, é muito grave.

Volto a escrever:

 Uma das diferenças dos treinos nos últimos 20/30 anos, e atenção que eu tenho tempo suficiente de treino para falar nisto, a diferença dizia eu , é que há 20/30 anos e principalmente nos escalões de formação, eram cometidos verdadeiras monstruosidades especialmente no capitulo físico (copiar o que se fazia nos seniores). Esse mesmo “crime” comete-se agora , com ênfase especial na vertente táctica e com reflexos super-negativos. São cada vez menos os criativos, os mágicos no nosso futebol e legitimamente, cada vez menos os espectadores nas bancadas.

 

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