Treinadores de ATAQUE….

Treinadores de ATAQUE….
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TREINADORES DE ATAQUE

      Penso que talvez por uma questão de “Marketing” (provávelmente) , 99% dos treinadores definem-se “orgulhosamente”da mesma forma : “sou um treinador de ataque”. Seguindo a mesma linha de mostrar aos outros , uma ambicão sem limites , e aproveitando o “marketing” dos treinadores , 100% dos Presidentes acabam por dizer : “Queremos um treinador de ataque e ambicioso”. Acaba por ser verdadeiramente inacreditável , pensar-se que no futebol dito moderno , alguém , alguma vez , poderá ser “um treinador de ataque”, se defensivamente for pior que no aspecto meramente ofensivo. O Jogo tácticamente falando tem duas fases ou momentos : Fase (ou momento) defensiva(o) e Fase (ou momento) ofensiva(o).

Para se falar numa equipa com organização estruturada e coesa , não se pode continuar a falar que “esta equipa” é boa ofensivamente. Tendo em vista os necessários equilíbrios colectivos, é importante lembrar que pode-se atacar defendendo e defender atacando. A arte de bem defender é tão importante ser trabalhada , como a de melhor ATACAR. Não é seguramente minha intenção “matar os treinadores de ataque”, mas , partindo desse pressuposto (equipa com organização estruturada e coesa) deve um treinador inteligente , pensar em controlar o jogo mesmo sem a posse da bola. E a manipulação do adversário possui uma constante e importante participação , nos momentos do jogo no futebol de alto rendimento, tanto em aspectos individuais como coletivos.

A complexidade de um jogo de Futebol, faz-se necessáriamente segmentando o jogo em Fases (ou momentos) , (Ofensivo, Defensivo, Transições Ofensiva e Defensiva), reduzido-os sem empobrecê-los , e isto se passa por não dissociá-los. Equipa que esteja em transição defensiva ou no momento defensivo , claro não possui a bola, mas isso não significa invariavelmente que não tenha o controle de jogo. Há sempre a possibilidade de ter o controle do jogo mesmo sem a bola. Controlar o jogo sem a posse de bola caracteriza-se por uma estratégia extremamente complexa, porém não complicada!!

Defender ou atacar em coletivo (em transições de equipa e movimentações e não sómente da bola) não é pensar a mesma coisa em determinados e diversos momentos, mas sim, actuar tendo os mesmos referenciais em determinados e diversos momentos, mesmo que realizando acções de formas diferentes.

Não se pode ser só um treinador de ataque. Não existem. Que me perdoem os que pensam ser só assim. Eu só quero ser treinador , e ser treinador é construir “uma equipa que saiba atacar , que saiba clarear o jogo, que saiba fazer um “campo grande“, ocupando corredores e dando profundidade e largura ao jogo (com a criatividade dos jogadores) (…)” e que defenda “ (…) que saiba fazer “um campo pequeno“, que saiba “escurecer” o jogo, reduzindo o espaço de jogo à equipa adversária. A ideia é ter os sectores próximos entre si e conseguir superioridade numérica junto à bola em todos os momentos do jogo”. (Frade 2008)

Claro que ganha quem fizer mais golos. Mas não é menos verdade que nunca ganham os que sofrem tantos ou mais golos , do aqueles que marcam.

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